Episódio 0 — Uma porta de entrada
- robertahenriette
- 25 de mar.
- 4 min de leitura

Querida ou querido ouvinte que acompanha o meu podcast no Spotify — Contos Terapêuticos – Biografia Humana — e chegou até aqui, ao blog, seja bem-vinda, seja bem-vindo!
Meu nome é Roberta Henriette e eu trabalho com Biografia Humana Antroposófica. Atendo pessoas individualmente e em grupo para trabalhos de autodesenvolvimento e autoeducação. Também realizo mentorias sobre práticas biográficas para profissionais de diversas áreas terapêuticas.
Esta é uma porta.Uma porta de entrada para os contos terapêuticos.
E aqui vou usar, a princípio, os contos de fadas dos Irmãos Grimm para a nossa reflexão.
O nascimento desse caminho
Essa vontade nasceu no meu momento de descanso e ócio.
Foi na virada de 2025 para 2026 que memórias da minha infância começaram a se movimentar dentro de mim, criando um espaço para dialogar comigo mesma.
E nesse período, entre Natal e Ano-Novo, que é, ou deveria ser, um momento de pausa, descanso e recolhimento para toda a humanidade… porém, não é bem isso o que acontece.
O que observamos, muitas vezes, é correria e exaustão.
Mas comigo… foi diferente.
Foi no descanso que nasceu essa vontade de falar sobre os contos de fadas.
A memória que abriu o portal
Voltei, então, à casa do meu avô materno.Não fisicamente, mas com a minha alma, buscando pelas memórias.
Lembrei-me de um móvel grande, imponente para o meu tamanho físico na época, feito de madeira maciça. Eu tinha entre 10 e 12 anos.
Dentro dele estavam guardados desenhos, colagens, trabalhos artísticos belíssimos, feitos por minha mãe, tias e tios maternos na adolescência.
E, ao lado desses trabalhos, repousavam livros de contos de fadas dos Irmãos Grimm.
Capas de couro imprimiam personagens antes mesmo da história começar, e minha imaginação já sabia que eu iria gostar muito.
Sentar e ler aqueles contos era atravessar um portal.
Animais que falavam, florestas encantadas, reis, rainhas, bruxas, feiticeiras, magias, maldições, provas a serem cumpridas, medos, inseguranças… e transformações.
Essas histórias me acolheram.
E talvez tenham me ensinado, muito cedo, que a alma também precisa de linguagem. A linguagem da imagem para encontrar o centro silencioso que habita em nós.
E nele, despertar algo adormecido.
A imaginação que ganha vida
Foi também nesse mesmo período que a história do mundo antigo começou a ganhar vida dentro de mim, pela voz de uma professora de história.
Ela sabia narrar.
Egito, Pérsia, Índia, Oriente e Ocidente iam se formando em imagens vivas dentro de mim.
E, como toda criança, eu escolhia lados, sentia pertencimentos, criava vínculos.
Aprender ali, era um encontro com o meu centro silencioso.
Maria Helena Sanson — jamais esquecerei seu nome.
Benditos sejam os professores que sabem ensinar o que sabem.
O retorno dos contos na vida adulta
Muitos anos depois, ao viver a vida como ela é, ao me tornar adulta e entrar na maturidade, resolvi sair do mundo corporativo.
Passei o bastão de executiva de Desenvolvimento Humano e Organizacional.
E escolhi trabalhar com Biografia Humana Antroposófica.
Já em atendimento, percebi que aqueles contos da minha infância nunca tinham ido embora.
Eles voltavam.
E voltavam como recursos vivos no consultório.
Quando a fala faltava…quando a dor era grande demais…quando o sentimento impedia o fluir da biografia…
Eu pegava um livro de contos de fadas.
E pedia ao cliente:
“Abra em uma página qualquer e leia.”
Era a pausa que precisávamos.
E, nesse momento, algo se movia.
Um novo fluxo surgia.
Os contos de fadas acolhem o que vive na linguagem da alma, no centro silencioso.
Eles tocam medos antigos, inseguranças profundas, regiões da alma que não tiveram colo quando precisavam.
Na infância, na adolescência… ou mesmo na vida adulta.
Não é raro ouvir:
“Era exatamente disso que eu precisava.”“Essa história sou eu.”“Isso tem tudo a ver com a minha vida.”
Não trago aqui promessas mágicas.
A vida não se resolve como em um conto de fadas.
É preciso assumir responsabilidade pela própria vida e pelas próprias escolhas.
Mas sei, pela prática e pela escuta em consultório, que os contos são recursos potentes.
São pausas necessárias.Silêncios cheios de imagens.Caminhos simbólicos que ajudam a desatar nós antigos.
Vivemos tempos de excesso.
Informações. Velocidade. Ruído. Globalização. Inteligência artificial. “Fake News”.
Tudo chega rápido demais.
E, quando percebemos, já estamos exaustos.
Talvez, justamente por isso, o ser humano precise reaprender a descansar:
em imagens,em histórias,em escutas mais lentas.
Aqui você encontrará, a princípio, contos dos Irmãos Grimm.
E, após cada conto, algumas perguntas, não para serem respondidas.
Mas para serem levadas:
ao sono,à meditação,ao silêncio.
Outras perguntas podem surgir a partir de você.
E esse é o propósito.
Que você faça as suas próprias perguntas.
Meu desejo é que os contos despertem o seu centro silencioso.
Que abram caminhos para o futuro.Para uma nova consciência.
Que esta porta seja leve e acolhedora.
Que seja um lugar de encontro com aquilo que vive dentro de você.
E que um despertar biográfico aconteça.
Porque toda Biografia também pode começar com:
“Era uma vez…”
Eu te encontro no próximo episódio do podcast, no Spotify, na próxima semana.
Abraços libertadores, Roberta Henriette



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