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Genograma Materno e Paterno: A Ponte que Ancoramos ao Nascer

  • Foto do escritor: robertahenriette
    robertahenriette
  • 12 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura
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Você já parou para pensar na história dos seus ancestrais? Já ouviu falar em genograma ou chegou a construir o seu? Se ainda não, este texto é um convite: embarque em uma jornada de descoberta, autoconhecimento e reconexão com suas raízes — uma história que começa muito antes do seu nascimento.


O que é um Genograma?


Mais do que uma simples árvore genealógica, o genograma é uma representação gráfica das relações familiares, tanto do lado materno quanto paterno. Ele permite visualizar padrões transgeracionais, heranças emocionais e comportamentos repetitivos que atravessam gerações.


Essa ferramenta nos ajuda a compreender contextos vividos por nossos antepassados: suas dores, conquistas, escolhas e omissões. Resgatamos memórias, honramos histórias e abrimos espaço para reescrever o presente com mais consciência.


O que observar em um Genograma?


Ao construir o seu genograma, alguns pontos merecem atenção especial:

  • O que foi transmitido em excesso ou deixado em escassez?

  • Houve membros excluídos ou esquecidos na história familiar?

  • Quais sucessos ou fracassos marcaram as gerações?

  • Que segredos permanecem velados?

  • Há doenças recorrentes? Quais foram as causas de falecimento?


A análise dessas informações nos oferece uma visão ampliada da biografia familiar. Inclusive, a metafísica das enfermidades que pode ser aplicada ao genograma, pois tem uma abordagem que interpreta doenças além do físico, explorando seus significados simbólicos. Doenças, crises e transformações revelam fases de metamorfose pessoal, onde muitas vezes se escondem preciosos aprendizados.


Se esse chamado ressoou em você, acesse meu Instagram @rohenriette. Lá na bio você encontra um e-book gratuito com o passo a passo para construir o seu genograma.


A Ponte de Valores Herdados: Transformando a Herança


Ao mergulhar no genograma, descobrimos uma ponte invisível, mas poderosa, que nos ancora à vida: os valores herdados durante os primeiros 21 anos de existência. Essa ponte conecta o pensar (crenças), o sentir (emoções) e o querer (ações), que são os três pilares sobre os quais se constrói nossa Biografia Humana.


Essa ponte se manifesta em diferentes níveis:

  1. Familiar – como nos relacionamos com pais, avós, irmãos e outros parentes.

  2. Social – nos ambientes que frequentamos e nas relações que cultivamos.

  3. Planetário – na conexão com a humanidade, com os tempos e culturas que nos cercam.


Reconhecer essa ponte ancestral é o primeiro passo para compreender os valores que herdamos. Podemos acolhê-los, ressignificá-los e somar novos valores que estejam mais alinhados com quem somos hoje, construindo, assim, uma individualidade mais autêntica e consciente.


Negar ou rejeitar esses valores pode dificultar nosso próprio processo de aprendizado e crescimento, além de mascarar dores que atravessam gerações. Não é preciso concordar com tudo o que aconteceu no passado, mas reconhecer e honrar o caminho de quem veio antes e fez o melhor que pôde com os recursos que tinha, é um gesto de respeito e parte essencial do nosso próprio caminho como descendentes.


O genograma nos mostra padrões inconscientes que carregamos. Mas é a partir de nossas escolhas conscientes que moldamos essa herança. O que decidimos fazer com ela (transformar, recriar, libertar) nos permite construir uma nova ponte, mais alinhada com quem realmente somos e com a nossa época cultural.


Uma Biografia Inspiradora: Tarsila do Amaral


No Painel Brasilidades 2025, utilizei a trajetória de Tarsila do Amaral como exemplo dessa ponte em ação.


Nascida em 1886, no fim do Império, Tarsila herdou valores humanistas e libertários. Seu pai, juiz, foi um defensor da abolição da escravidão; seu avô, apesar da riqueza, era simples e se misturava aos trabalhadores do campo.


Entre 1889 e 1929, ela seguiu sua paixão pela arte, mesmo enfrentando o desdém do primeiro marido com quem teve uma filha. Com Oswald de Andrade, viveu o ápice de sua produção artística, criando obras icônicas como A Negra, Abaporu e Caipirinha. Tarsila foi reconhecida primeiro no exterior e nunca desistiu de se expressar. Nesse período, ela incluiu na sua ponte herdada os valores de liberdade, coragem e autenticidade.


Após 1929, sua vida se transformou. Com a crise do café, ela enfrentou perdas, casou-se com um socialista, viveu na URSS, foi presa ao retornar ao Brasil e sobreviveu pintando por encomenda. Casou-se com Luís Martins e enfrentou o falecimento da filha e da neta, perdeu a mobilidade numa cirurgia da coluna e continuou a pintar da sua cama. Nessa fase, Tarsila incorporou à sua ponte os valores de resistência, desapego, doação e transcendência.


Seu legado ultrapassa o tempo. Sua arte integra a ética, uma ponte de valores que inspira e transforma gerações. Quando admiramos alguém pelo legado deixado, estamos nos nutrindo daqueles valores que nos impulsionam para a vida também.


E você, reconhece a Sua Ponte?


Deixo aqui algumas perguntas para sua reflexão pessoal:

  • Você reconhece a ponte ancestral na qual nasceu?

  • Quais eventos (familiares, sociais ou planetários) moldaram sua jornada até aqui?

  • Como os valores que você herdou e os que decidiu cultivar têm impactado o mundo à sua volta?

  • O que você está incluindo, hoje, na ponte que deixará para as próximas gerações?


Construir um genograma vai muito além de um exercício de memória. É uma ferramenta viva, que nos convida a uma viagem interior de autodesenvolvimento. Compreender de onde viemos e onde queremos chegar nos permite trilhar um caminho de liberdade, igualdade e fraternidade mais consciente e deixar para os descendentes um legado que ecoa em mudanças que queremos ver nos três pilares: familiar, social e planetário.

 
 
 

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