Episódio 04 — O jovem que queria aprender sobre o medo
- robertahenriette
- há 3 dias
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Aprender o medo: quando a vida nos ensina a sentir
Reflexão sobre o conto de fadas: O Jovem que queria aprender sobre o medo
Existem pessoas que atravessam situações difíceis com aparente firmeza.
Não tremem.
Não recuam.
Não choram.
São vistas como fortes.
Mas o conto dos irmãos Grimm nos provoca uma pergunta desconfortável:
E se a ausência de medo não for coragem, mas ausência do próprio sentir?
O jovem da história sai pelo mundo para aprender o que é medo. Ele enfrenta forças estranhas, fantasmas, castelos amaldiçoados, ossos e seres mortos.
Nada o sensibiliza.
Ele supera desafios externos, quebra feitiços, conquista riquezas e até um casamento real. Aos olhos do mundo, é um vencedor.
Mas internamente, algo falta. Ele não sente.
E o conto nos ensina algo essencial: o amadurecimento não está apenas em atravessar situações difíceis, mas em ser afetado por elas.
O jovem enfrenta as figuras externas, mas não encontra o medo porque ainda não acessou o próprio mundo emocional.
Ele age.
Ele resolve.
Ele domina.
No castelo assombrado, ele passa por três etapas, formando ali um tríptico biográfico. Esse castelo pode ser lido como o território interno: o inconsciente, aquilo que foi reprimido, negado ou não elaborado.
Mas mesmo ali, ele não se permite sentir.
Quantas vezes fazemos o mesmo?
Superamos crises.
Seguimos adiante.
Cumprimos responsabilidades.
Mas não paramos para perguntar: O que isso fez comigo por dentro? Eu me permiti sentir?
No conto, o medo só aparece quando o corpo é surpreendido: água fria, peixes vivos, movimento inesperado sobre a pele. O corpo fala antes da mente criar uma couraça para se organizar.
E talvez essa seja a parte mais profunda do conto: há experiências que não se aprendem pelo intelecto. Elas se aprendem pelo corpo, pelo sentir na pele, até chegar ao coração.
Na Biografia Humana, sabemos que o sentir é etapa da experiência de vida.
Na infância, organiza limites.
Na adolescência, desafia a personalidade em formação.
Na vida adulta, confronta escolhas.
Não sentir medo pode significar bloqueio emocional, excesso de racionalização, defesa psíquica ou até um movimento sutil de se afastar do próprio sentir, evitando entrar em contato com a própria vulnerabilidade.
Portanto, a cada caminho de autoeducação, autodesenvolvimento e autoconhecimento, vamos aprendendo, pouco a pouco, a trazer para a consciência as sombras que um dia escondemos debaixo do tapete da alma.
E é dessa consciência que nasce a ponte necessária.
A ponte que nos permite atravessar a vida não sem medo, mas com coragem para sentir.
Sua biografia. Sua potência de vida.
Abraços libertadores!
Roberta Henriette

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